No ritmo frenético provocado pela globalização na China deste início de século XXI, muitos pais decidiram proporcionar aos filhos (ou ao único filho, se respeitarem a lei) um pouco de sabedoria tradicional. Para tal enviam os pequenos - entre os três e os seis anos - para uma das escolas confucianas que têm surgido nas grandes cidades. Aí, aprendem as virtudes da harmonia, humildade e compaixão. Tudo isto sob o olhar atento do Governo comunista, que nos anos 60, em plena Revolução Cultural, procurou apresentar Confúcio como um pensador feudal e antiquado. Quando entram no pequeno apartamento situado num bairro residencial de Wuhan, na província central de Huey, os pequenos alunos ficam quase irreconhecíveis. Começam por vestir a túnica castanha abotoada atrás por um moderno velcro. Na cabeça, todos usam um chapéuzinho preto. Entre cânticos e jogos, os ensinamentos de Confúcio vão sendo transmitidos. "A cultura tradicional tem vantagens que não tem a educação moderna", explicou à BBC Yu Fang, mãe de uma aluna de três anos. Para Wang Ching, outra mãe, a China moderna "precisa de mais do equilíbrio, ordem social e compaixão que Confúcio defendia". Ideias que parecem inócuas, mas podem chocar com o regime comunista de Pequim.Comunismo e confucionismo são velhos inimigos. Durante a Revolução Cultural de Mao Tse-tung, o sábio das longas barbas foi acusado de defender ideias próprias do pensamento da burguesia do passado. Os comunistas receavam ainda o respeito próximo da devoção religiosa dos seguidores de Confúcio. Hoje, o sábio parece ter voltado a estar na moda. Um livro com os ensinamentos do confucionismo até se tornou num sucesso de vendas. Para o fundador da escola de Wuhan, o Governo mostra alguma abertura, mas reabilitar Confúcio "é algo que teremos de fazer passo a passo".
in dn.sapo.pt 08 jan
HELENA TECEDEIRO CHINA PHOTOS-GETTY
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