terça-feira, 8 de janeiro de 2008

China moderna recupera ensinamentos de Confúcio

No ritmo frenético provocado pela globalização na China deste início de século XXI, muitos pais decidiram proporcionar aos filhos (ou ao único filho, se respeitarem a lei) um pouco de sabedoria tradicional. Para tal enviam os pequenos - entre os três e os seis anos - para uma das escolas confucianas que têm surgido nas grandes cidades. Aí, aprendem as virtudes da harmonia, humildade e compaixão. Tudo isto sob o olhar atento do Governo comunista, que nos anos 60, em plena Revolução Cultural, procurou apresentar Confúcio como um pensador feudal e antiquado. Quando entram no pequeno apartamento
situado num bairro residencial de Wuhan, na província central de Huey, os pequenos alunos ficam quase irreconhecíveis. Começam por vestir a túnica castanha abotoada atrás por um moderno velcro. Na cabeça, todos usam um chapéuzinho preto. Entre cânticos e jogos, os ensinamentos de Confúcio vão sendo transmitidos. "A cultura tradicional tem vantagens que não tem a educação moderna", explicou à BBC Yu Fang, mãe de uma aluna de três anos. Para Wang Ching, outra mãe, a China moderna "precisa de mais do equilíbrio, ordem social e compaixão que Confúcio defendia". Ideias que parecem inócuas, mas podem chocar com o regime comunista de Pequim.Comunismo e confucionismo são velhos inimigos. Durante a Revolução Cultural de Mao Tse-tung, o sábio das longas barbas foi acusado de defender ideias próprias do pensamento da burguesia do passado. Os comunistas receavam ainda o respeito próximo da devoção religiosa dos seguidores de Confúcio. Hoje, o sábio parece ter voltado a estar na moda. Um livro com os ensinamentos do confucionismo até se tornou num sucesso de vendas. Para o fundador da escola de Wuhan, o Governo mostra alguma abertura, mas reabilitar Confúcio "é algo que teremos de fazer passo a passo".

in dn.sapo.pt 08 jan

HELENA TECEDEIRO CHINA PHOTOS-GETTY

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